Quebrando promessas

No meu último post eu disse que me esforçaria pra fazer ao menos uma postagem por semana e… bem, meu computador deu problemas e tive que mandar arrumar. Só peguei de novo ontem, então não pude escrever nesses últimos tempos. Mas já estou preparando algumas postagens. Vai ficar tudo meio devagar por enquanto, pois ando meio sem tempo. Tenho ainda que preparar um layout bacana pro blog, mas não sei quando vai rolar. Enquanto isso, vou publicando algumas coisas.

Espero que esse bloguinho seja apreciado.

I’m Back!

Tive a ideia de fazer o blog há vários meses, mas desde que o criei muita coisa mudou. Nenhuma mudança lá muito importante, mas minha rotina sofreu alterações e houve uma redução do meu tempo livre.

Mudei o blog de endereço, acho que pela terceira vez, e espero que dessa vez o blog vá pra frente. Já estou preparando alguns posts e vou tentar, a princípio, fazer pelo menos uma postagem por semana.

A proposta do blog é simples: é meu espaço pessoal, no qual eu me reservo ao direito de escrever sobre o que eu quiser, mas vou tentar manter o foco nas minhas observações pessoais sobre a vida, as pessoas, a sociedade e etc. Mas também pretendo falar muito sobre filmes e TV. Claro, sobre feminismo também, que é um assunto que ainda estou descobrindo.

Espero que gostem do blog e prometo voltar logo.

SOPA, PIPA, DMCA, ACTA e RIP

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Todo mundo sabe do que se tratam os projetos SOPA, PIPA, DMCA e ACTA, que são medidas pra tentar controlar a pirataria, a distribuição de informações e tudo o que envolve direitos autorais e propriedade intelectual. Existem muitas – mu-uitas – questões que envolvem a propriedade intelectual, que não se refere apenas às músicas, filmes e seriados que tanto gostamos de baixar, às fotos com as quais fazemos montagens, os vídeos que postamos no Youtube essas coisas que estão tão ao nosso alcance. Essas medidas não apenas tiram a sua liberdade de expressão e de compartilhamento de arquivos. Se essas medidas forem efetivadas, não poder mais baixar o último CD da sua banda preferidae nem assistir de graça o filme que acabou de sair no cinema serão os menores dos seus problemas.

Eu não vou entrar em detalhes aqui, até porque não é da minha ossada. Pra se ter uma ideia da dimensão da lei de propriedade intelectual e do que ela afeta – e consequentemente será afetado por esses atos todos, eu recomendo um documentário chamado RIP: A Remix Manifesto. Eu assisti esse documentário no Canal Multishow há algum tempo e não tenho tempo de procurar algum link funcionando pra baixar, pra que eu possa disponibilizar aqui, então não sejam preguiçosos e procurem enquanto é tempo.

O documentário de Brett Gaylor mostra os problemas que existem na atual lei de copyright, que vai desde os motivos pelas quais ela existe em primeiro lugar e porque hoje ela é como é, até o porquê essa lei não cabe mais à realidade. Recomendadíssimo, esse documentário mostra como o direito do autor virou um indústria injusta.

Sem mais, é claro que os atos SOPA, PIPA, DMCA e ACTA vão muito além do que é abordado pelo documentário, mas é aí que tudo começa.

O Lobo Mau

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Sabe aquela piadinha que diz que melhor que príncipe encantado é o lobo mau, que te vê melhor, te ouve melhor e ainda te come?
Pois então. Outro dia um amigo perguntou:

– E se você tiver que escolher entre um homem que te ouve, um que te enxerga e um que te come, qual você prefere?

Na ocasião não soube exatamente o que responder. Ignorando o fato que de o termo “comer” não me apetece, pois aceitei que ele se referia a uma relação sexual saudável e consensual (ou uma boa trepada, se você preferir nesses termos), pensei comigo: um homem de verdade é multifacetado, não quero ao meu lado um cara que seja apenas uma coisa. Lembro que a primeira eliminação foi o cara que só te come. Disse ao meu amigo que se eu quiser um objeto sexual eu compro um. E ele me questionou, disse que transar com um consolo não é o mesmo que um homem de carne e osso. Não pude discordar, mas vamos admitir que um cara que “só te come” não é o tipo de cara que se dedica na hora do sexo para o prazer mútuo. O cara que só te come é o cara que está lá pra gozar e tchau. Lembro que dizer ao meu amigo, depois de alguma reflexão, que eu já pago pra que alguém me ouça, me referindo à minha psicóloga, assim concluí que prefiro então o cara que me enxerga.

Uma pessoa que realmente te enxerga é capaz de perceber certas nuances da sua personalidade, descobrindo (sem que você precise desenhar) do que você gosta ou deixa de gostar. É preciso olhar para além do que se vê na superfície. E aí o resto é consequência. De qualquer forma, o conjunto da obra é que torna a coisa interessante.

Não à toa, o tema já foi retratado no cinema, recentemente em A Garota da Capa Vermelha (2011) e anteriormente em A Companhia dos Lobos (1984), fazendo essa analogia à sexualidade adolescente. Pra ser honesta eu não vi nenhum dos dois filmes, por isso não vou fazer nenhum juízo de valor, muito menos uma análise do foco tomado por cada um dos filmes.

O conto original, porém, não tem sequer o intuito de ser um conto de fadas e acho que remete muito mais à violência sexual do que à descoberta da sexualidade, ao menos pra mim. Segundo, era para ensinar às filhas a não responderem a chamados de estranhos educando pelo medo. A mensagem pra mim é muito simples: não fale com estranhos, não dê informações.  Muito útil ainda nos dias de hoje.

A psicanalista Maria Rita Kehl o apresenta como contado pelos antigos no artigo “A Psicanálise e o Domínio da Paixão”:

Certo dia, a mãe de uma menina mandou que ela levasse um pouco de pão e de leite para sua avó. Quando a menina ia caminhando pela floresta, um lobo aproximou-se e perguntou-lhe aonde ia:
– Para a casa da vovó – ela respondeu.
– Por que caminho você vai, o dos alfinetes ou o das agulhas?
– O das agulhas.
Então o lobo seguiu pelo caminho dos alfinetes e chegou primeiro à casa. Matou a avó, despejou seu sangue numa garrafa e cortou sua carne em fatias, colocando tudo numa travessa. Depois, vestiu sua roupa de dormir e ficou deitado na cama, a espera.
Pam, pam!.
– Entre, querida.
– Olá, vovó. Trouxe para a senhora um pouco de pão e leite.
– Sirva-se também de alguma coisa. Há carne e vinho na copa.
A menina comeu o que lhe era oferecido e, enquanto o fazia, um gatinho disse:
– Menina perdida! Comer a carne e beber o sangue da sua avó!
Depois o lobo disse:
– Tire a roupa e deite-se na cama comigo.
– Onde ponho o avental?
– Jogue no fogo. Você não vai mais precisar dele.
Para cada peça de roupa – corpete, saia, anágua e meias – a menina fazia a mesma pergunta. E cada vez, o lobo respondia:
– Jogue no fogo. Você não vai precisar mais dela.
Quando a menina se deitou na cama, disse:
– Ah, vovó! Como você é peluda!
– É para me manter mais aquecida, querida.
– Ah, vovó! Que ombros largos você tem!
– É para carregar melhor a lenha, querida!
(…) Até que ela perguntou:
– Ah, vovó! Que dentes grandes você tem!
– É para comer melhor você, querida!
E ele a devorou.

1, 2, 3, apresentando.

Eu já tive vários blogs, o primeiro deles em 2002/2003, no qual eu relatava o meu cotidiano. Tinha vários leitores e muito raramente um post ficava sem comentários. Com a moda dos Fotologs, os blogs “escritos” ficaram meio abandonados e, como eu não possuía uma câmera digital, que era privilegio de poucos há dez anos, meu fotolog vivia morto e cada vez menos postagens e comentários eram postados no blog, assim como nos blogs que eu acompanhava na época, todos de cunho pessoal.

Eu cheguei a me expor muito na internet durante aquele período. Lembro que um dia cheguei bêbada em casa e fui escrever no blog. Admito que foi um post muito bem escrito e muito inspirado, mas nele eu contava sobre uma ficada que acabara de acontecer e revelava o fato de que sou bissexual. Lembrando que não era um blog anônimo. Além de leitores blogueiros de outros estados e mentes abertas, várias das pessoas que me acompanhavam eram meus amigos da escola, da ex-escola, “da rua”, minha irmã, algumas primas e primos… A minha família é um tanto conservadora e crítica e eu, bem, morava em uma cidade do interior, daquelas onde todo mundo acaba se conhecendo, e muito conservadora.

Depois do post, ninguém nunca mencionou o fato, como eu imaginava que aconteceria. Nem meus amigos, nem a minha irmã… Ninguém. Minha bissexualidade não era fato jamais revelado. Alguns poucos amigos sabiam. Da minha cidade, acho que um ou dois. De uma cidade vizinha, onde eu tinha mais amigos open minded, inclusive umas meninas bissexuais/bi-curious, quase todos sabiam. Mas entre aqueles amigos que eu preservava desde os 11, 12anos, eu não havia contado pra ninguém. Sabe como é, preconceito e tal. Ficava pensando se as meninas não iriam ter aquela ideia errada de que eu estaria pensando nelas sexualmente.

Tentei conversar sobre isso com uma das minhas mais antigas amigas. Éramos amigas desde os 10 anos, afinal, mas ela se mostrou cética. Eu perguntei se ela ficou chateada pelo que escrevi e ela fez que não sabia do que eu tava falando. Aí eu entendi porque ninguém havia falado nada. Bissexualidade, homossexualidade ou whatever era assunto proibido. Ignore.

Daí passei a me autocensurar. Nunca mais falei de relacionamentos, ficadas e afins no blog. Disso pra parar de mostrar as minhas opiniões foi um passo. Pensei que as minhas opiniões de nada valiam, já que as pessoas não queriam saber, não queriam falar de certos assuntos. Eu me assumi bissexual, mas eu não tinha esse direito. E quando percebi o meu blog tinha virado local de auto depreciação. Resolvi mudar do weblogger pro blogspot, “começando do zero”, deixando pra trás a bissexual assumida e as opiniões controversas. O meu começar do zero era, então, fazer um blog igual ao anterior só que pior. Nesse, até o título era depreciativo. Nos posts eu escrevia sobre o quanto eu era loser, sobre o quanto eu odiava a cidade onde vivia, a mentalidade das pessoas ao meu redor, a minha família e a mim mesma. Quando uma coisa boa acontecia comigo eu contava em fragmentos fingindo que não me afetava. Quando uma coisa ruim me acontecia eu, mais uma vez, contava fragmentos, minimizando o quanto era ruim, fazendo drama sob o aspecto errado e querendo dizer que nada daquilo me atingia. E quando ficava claro que me atingia, eu justificava com mais auto depreciação. Nessa época eu tinha poucos leitores. Tipo, uma meia dúzia de amigos. Um ou outro – os menos próximos – se mostravam solidários com os meus problemas, mas isso só fazia eu me sentir pior. Eu não queria que as pessoas me vissem como uma coitada, mas não queria que percebessem que eu tentava abrir a minha mente para coisas que as pessoas da cidade pequena optavam por ignorar. Aí eu me escondia num mundinho tão inho, que me tornei uma pessoa aparentemente até mais vazia do que aquelas das quais eu tentava fugir.

De tempos em tempos eu fazia outro blog. Dizia pra mim mesma que o próximo seria diferente, que deixaria de ser tão negativa, mas quando eu via, tinha virado a mesma coisa que o anterior, e aí eu fazia outro. Desisti.

Já faz muito tempo que ando acariciando a ideia de voltar a escrever. Já tentei ter blog anônimo antes e isso faz eu me sentir uma farsante, mas não quero me sentir exposta de novo e com o Facebook e essas coisas, hoje tenho muito mais familiares preconceituosos online. Aqui pretendo falar sobre a minha vida pessoal, muitas coisas muito pessoais. Coisas que costumo guardar pra mim, mas sinto que preciso dividir, ainda que com estranhos. Estou tentando vários tipos de terapia, não apenas porque tenho depressão, fobia social e agorafobia, mas também uma jornada de autoconhecimento e escrever é uma forma de terapia. Tenho passado muito tempo sozinha com os meus pensamentos – e não é que não goste disso -, mas chegou o momento de eu voltar à realidade e dada a minha dificuldade de me relacionar com o mundo exterior, acho que internet é um bom começo.

Anônimo, sim. Sei que vou ser julgada aqui, e não preciso me sentir ainda mais desconfortável na presença das pessoas da minha vida “real” dando a elas mais motivos pra me julgarem. Além disso, o que pretendo escrever pode expor outras pessoas. Já expus minha família de uma maneira não muito legal em um antigo blog e eu não tenho esse direito.

PS1: Sei que o post de apresentação foi longo. Pretendo ser mais objetiva daqui pra frente.

PS2: Não pretendo fazer desse blog exclusivamente um querido diário. Me reservo ao direito de escrever sobre absolutamente qualquer assunto que eu quiser.